O Património como cenário?

A povoação do Crato foi doada pelo Rei D. Sancho II à Ordem do Hospital de S. João de Jerusalém, em 1232.

Em 1340, a Ordem instalou ali a sua sede em Portugal, dando origem ao Priorado do Crato. O Mosteiro foi fundado em 1356 por Álvaro Gonçalves Pereira, pai do Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

A partir do século XVI, a Ordem do Hospital passou a denominar-se Ordem de Malta, nome que ainda hoje conserva.

O Arq. Pedro Nunes Tinoco visitou o local em 1620, donde resultou um códice de 28 desenhos, dois dos quais dedicados às obras então necessárias.

"Um conjunto com a singularidade e dignidade do Mosteiro da Flor da Rosa, Monumento Nacional por Decreto de 1910, deveria ser preservado por si, sem necessidade de alibis de rentabilização..." Deveria ter servido para "... albergar uma exposição permanente sobre a Ordem do Hospital ou de Malta em Portugal, o Priorado do Crato e a interpretação artística do próprio Mosteiro..."

A adaptação a pousada usa o monumento como cenário. "A construção do novo bloco cortou caminho de circulação e de leitura artística. Além disso, forma feitas demolições inadmissíveis num monumento nacional, introduzindo alterações irreversíveis como o rasgamento duma porta para o antigo Refeitório, transformado no bar da pousada. Ignorando o sistema de drenagem do século XIV, revelado por escavações arqueológicas, foram cometidos erros de implantação em termos de cotas e hidrografia que provocam frequentes inundações do interior."

Citações de Oliveira, Luís Filipe (Coord.), Comendas Urbanas das Ordens Militares, Lisboa, Colibri, maio 2016 

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