Reabilitação dum edifício na Baixa Pombalina (Lisboa)

O edifício reunia, à partida, várias características que apontavam para a necessidade de uma intervenção particularmente contida: a configuração exterior correspondia ao projeto elaborado pela equipa do Engenheiro Manuel da Maia para a reconstrução pós-1755, isto é, o edifício tinha escapado à onda de acrescentos de andares que se verificou sobretudo a partir dos anos cinquenta do século passado. Conservava, embora já com acentuada degradação, a cobertura original, com as suas emblemáticas trapeiras.

Interiormente, mantinha-se a conceção construtiva pombalina, relativamente pouco alterada, constituída por paredes ortogonais em treliça de madeira, preenchida com uma alvenaria heterogénea de fragmentos de tijolo lambaz e escacilhos - o frontal pombalino. A estrutura dos pisos era também a original, constituída por solho sobre vigamento de madeira.

O edifício constituía, em suma, um exemplar notavelmente conservado do conceito estrutural de reconstrução pombalina, reconhecido internacionalmente como uma das primeiras tentativas de construir edifícios capazes de resistir aos sismos.

Além de não ter sido muito alterado, o edifício não evidenciava instabilidade nem sinais de eventuais cedências das fundações.

A intervenção realizada consistiu em três fases consecutivas:

a) Reparação e reforço da estrutura original, sobretudo através da melhoria das ligações parede-parede e piso-parede, e consolidação dos pisos através do aumento do número de vigas;

b) Melhoria do funcionamento estrutural global por adição de um sistema de tirantes nas duas direções principais, com ancoragens dúcteis pelo exterior;

c) Instalações técnicas e acabamentos. Neste âmbito, é de referir a opção de se ter excluído a instalação de um elevador.

As opções feitas no âmbito da reabilitação estrutural e funcional do edifício em apreço somaram um relevante conjunto de vantagens, dentre as quais sobressai, desde logo, a possibilidade de salvaguardar a sua integridade e autenticidade, e, por essa via o seu valor histórico-cultural.

Em comparação com a alternativa de demolição total do interior do edifício para executar lá dentro uma construção totalmente nova, as soluções encontradas permitiram, também, consumos de materiais, mão-de-obra e energia mais baixos e menor produção de entulhos e outros resíduos, traduzindo-se em economia de recursos financeiros e menor impacto ambiental.