Vasco Martins Costa

Vasco Martins Costa, o último Diretor-Geral da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, faleceu dia 25 do passado mês de março.

Engenheiro civil pelo Instituto Superior Técnico, foi Diretor-Geral da DGEMN desde 1989 até 2007, ano em que se aposentou, em resultado da extinção do organismo que dirigia, durante o primeiro governo de Sócrates.

Um dos pontos altos do início do seu mandato na DGEMN foi a realização da "Sétima Conferência Internacional para o Estudo e Conservação da Arquitetura de Terra", em cooperação com o Município de Silves, em Outubro de 1993. Logo no ano seguinte foi lançada, com a colaboração de Margarida Alçada, a "Monumentos", uma revista semestral de grande nível técnico e científico sobre "edifícios e monumentos".

Em 1999, participou do Grupo de Trabalho organizado pela UNESCO para a "Autenticidade e Integridade das Cidades Históricas" - Nara, Japão; Entre 2003 e 2009 foi docente em sucessivas edições do curso internacional ARIS - Architectural Records, Inventories and Information Systems for Conservation - promovido conjuntamente pelo ICCROM (International Centre for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property) e pelo Getty Conservation Institute.

Mas o projeto de maior alcance e aquele em que mais se empenhou, foi porventura o desenvolvimento, a partir de 1990, do Sistema de Informação técnica e científica para o Património Arquitetónico - SIPA, com o qual procurou colocar as tecnologias da informação ao serviço do património cultural construído e, por essa via, pôr o inerente conhecimento à disposição da comunidade científica e da sociedade em geral. Esta iniciativa, que envolveu a recolha e sistematização do vasto acervo documental reunido pela DGEMN desde a sua fundação em 1929, deu origem ao arquivo e inventário do Forte de Sacavém. Vaco Costa apresentou esta iniciativa num artigo publicado na "Pedra & Cal" n.º 30, Abril-Junho de 2006.

Depois de 2007 Vasco Martins Costa fundou e foi o primeiro presidente da Associação In.Cidades, a partir da qual procurou impulsionar a formação em técnicas tradicionais de construção.

Numa entrevista publicada na "Ingenium", a revista da Ordem dos Engenheiros, no início de 2012, a seguir à entrada da Troika em Portugal, Vasco Costa relacionava o desmantelamento da DGEMN com a desvalorização do papel desempenhado pelos engenheiros na Administração Pública. Segundo ele, um dos resultados dessa desvalorização foi o descontrolo a que se assistiu nas obras promovidas pelo Estado. Reconhecendo a qualidade dos recursos humanos que integravam a Administração Pública, Vasco Costa atribuía os maus resultados às opções da liderança política.     

Num curso ARIS (Architectural Records, Inventories and Information Systems for Conservation), ICCROM 2007. 

Numa apresentação do CAOP (Centro de Artes e Ofícios do Património).